O último a morrer apague a luz!
Medo, angústia, discórdia e dor. Temos que conviver com esse terrível derramamento de sangue, vendo todos os dias crianças, adolescentes, homens e mulheres sendo brutalmente assassinados. Outros tendo que viver trancafiados em suas casas, temendo a sua própria morte e observando os noticiários que acabavam de divulgar o número de 59 mortes em um único final de semana. Mas segundo a SDS – Secretaria de “Descaso” Social – os números apresentados baixaram em relação ao ano de 2006: 63 mortos, quatro a menos que este ano.
Nada alarmante, pois a semana estava apenas começando e o divulgado eram apenas números de pobres, favelados, escorraçados, crianças sem educação, “jovens ditos ociosos”, homens oprimidos, mulheres esquecidas. Todos submissos a essa elite criadora do sistema que está a “relaxar e a gozar” enquanto observa todo este derramamento de sangue. Mas nesta noite fria e silenciosa, a calmaria da rua traz um flash em minha cabeça: de tudo que tenha feito nesta vida, pude perceber que tudo foi tão pouco para tão pouca vida, parecendo que pressentia o que estaria a acontecer e o que ouviríamos no dia seguinte nos noticiários.
Por favor, o último a morrer apague a luz!
Rato